sábado, 15 de maio de 2010

RUA DA PERDIÇÃO!


Quanto entramos naquela avenida cheia de luminosos, em Newark Nova Jersey, nem percebemos que estava nevando do lado de fora. Era uma casa noturna ao lado da outra, “GOGO girls”, “Stripers”, “Night Clubs”, “Mature adveture”, e por ai afora, meu amigo e eu ficamos doidos. Imagine 2 caras solteiros com 20 e poucos anos com tudo aquilo para curtir!

“-Cara, é só você fazer as contas, se nós vamos gastar U$60,00 em uma noite de hotel, porque não passamos a noite de bar em bar?” Falei entusiasmado para meu amigo. Já era meia noite e não seria dificil tomar uma cerveja em cada boate até o dia amanhecer, usando o dinheiro do hotel. Meu amigo demorou uns 5 segundos para topar a idéia. E já fui parando o carro no primeiro bar que estava agitadíssimo!

“- Ma’am, get us a pitch of beer, please!” Já fui gastando o inglês pedindo uma jarra de cerveja para a garçonete peituda! Resolvemos beber rapidinho para dar uma esquentada porque estava muuuuito frio. A música animada, uma gente bonita e dançando e nós animados que a noite seria muito agitada e não deu outra!

Terminamos a jarra de bebida e seguimos para o outro bar com garçonetes “top less” e lá veio outra jarra de cerveja. Claro que a segunda jarra não desceu tão rápida, mas já estávamos meio “zuretinhas”. E partimos para o terceiro bar. O acesso para entrar estava molhado, uma mistura de gelo com barro que congelou nossos pés e entramos, mas o clima estava meio esquisito, um pessoal meio “country”, mas tínhamos a noite toda e pedimos a terceira jarra de cerveja. E percebemos que o lugar começou a esvaziar rapidamente mas ainda era 2 horas da madrugada e resolvemos ir para outro lugar porque aquele estava deprê.

Quando saímos para pegar o carro, aquela avenida iluminada estava inteira apagada! Parecia uma cidade fantasma! E perguntei para um rapaz que estava pegando o carro o porque que a rua estava apagada e ele respondeu (em inglês obvio): “- Isso é normal, TODAS as casas noturnas fecham as 2 horas da madrugada”.

Não preciso nem falar que eu e meu amigo ficamos com aquela cara de ponto! Nosso dinheiro para o hotel já tinha ido quase que todo, estávamos no meio de um lugar desconhecido, nevando, bêbados e sem saber para onde ir. E começamos a procurar um lugar para dormir. Como era uma área com muita indústria, as ruas eram escuras e tinha aquele ar de filme americano de guetos. Nisso percebemos um carro atrás de nós, fui parando e ele também... até que parei no meio da rua.... E ele também parou! Pânico!! Estávamos sendo seguidos por um carro com 5 caras mal encarados! Saímos em fuga até despistarmos daquele carro.

Chegamos numa região que só tinha motéis! Mas os motéis ali eram para os mesmos fins que os motéis aqui no Brasil, afinal estávamos numa região de vida noturna. Todos estavam lotados e já era mais de 3 horas da manhã. Estávamos com sono, bêbados e com medo! E resolvemos parar no primeiro lugar que tivesse vaga. E lá fomos nós!

Paramos no “Patel Motel” e pedimos um quarto, o Indiano que era dono respondeu: “- Setenta e cinco dólares”... E nem pensamos duas vezes. E dissemos: “- OK, we’ll take it”. Pagamos e pegamos a chave e embaixo de neve e garoa fomos para o quarto. Quando entramos, eu e meu amigo demos de cara com uma, eu disse uma cama redonda com lençóis vermelhos, teto de espelho e paredes vermelhas!

Bem, aquela noite que achei que seria a mais divertida, acabei bêbado, com frio, gastando muito e dividindo uma cama redonda com meu amigo!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

COISAS DA VIDA!



“-R$ 650,00 mais as comissões, quer dizer, se você se esforçar vai ganhar uns R$ 1.300,00 por mês. Mas diga, qual foi seu último salário?” O jovem que havia respondido ao anúncio do jornal, era loiro de olhos claros, meio gordinho, com roupas boas, mas sabe quando a camisa fica amassada, pra fora da calça... Enfim, desarrumado!

Ele respondeu a pergunta meio que constrangido: “- Limpo na minha mão foi de R$ 8000,00, mas eu me interesso pela vaga, não leve em consideração meu salário anterior, por favor!” Apressou-se em falar.

Claro que eu fiquei chocado dele se interessar por um salário muito mais baixo e devo confessar que fiquei preocupado. Mas ele me explicou. Ele estava trabalhando em uma boate como gerente (uma muito famosa), mas estava cansado daquela vida, trabalhando a noite toda e acabava bebendo, dormindo durante o dia além de haver muito consumo de droga na casa. Ele queria um trabalho “normal”.

Achei a explicação dele boa e resolvi contratá-lo. Ele estava fazendo faculdade, chegava atrasado todas as manhãs mas dava resultado. Era um rapaz alegre, comunicativo, fez logo uma boa carteira de clientes e acabou ganhando muito mais do que a expectativa inicial. Em uma das nossas conversas ele disse que aquele era o primeiro emprego de verdade. Porque na boate ele não achava que tinha sido uma boa experiência.

Ele falava das dificuldades para pagar a faculdade e a prestação do Escort velho que possuia. O carro vivia sujo de poeira. Perguntei onde ele morava e ele me disse que estava morando na casa da namorada em um chácara, mas o pai dela era viúvo e ele não dormia com ela pois o pai dela era muito bravo! E o homem ficava na cola dele e ele dormia no quarto com ele. Fora isso ele era muito na dele não se abria muito sobre sua vida pessoal.

Após mais de 2 anos trabalhando na empresa, aquele jovem começou a relaxar no trabalho, chegava mais tarde, não estava focado, clientes atrás dele e percebi que ele estava desmotivado e chamei ele para uma conversa. E disse:

"- Alex, tenho percebido você desmotivado, você já está aqui a um tempo e vou fazer para você uma coisa que você não tem coragem de fazer.... Você está demitido!" O jovem ficou branco que parecia assombração e gaguejando respondeu!

"- Não, por favor não faça isso, me dê uma chance, eu sei que tenho pisado na bola, mas vou melhorar..."

Bem, Alex saiu naquele dia mesmo, revoltado e inconformado por ter sido dispensado sumariamente. Mas falei para ele que as coisas em um primeiro momento parecem ruins mas com o tempo elas se provam serem boas. Ele nem quiz ouvir e foi embora.

Não tive mais noticias do rapaz até que após cerca de um ano recebi uma ligação.

"- Alô, Marcos é você? Aqui é o Alex, eu estou do outro lado da rua, será que você poderia vir aqui me encontrar, preciso falar com você!"

Minha nossa... devo confessar que me deu um frio na espinha, mas fui ao encontro do ex funcionário. Atravessei a rua e lá estava o rapaz, mais magro, bem vestido e de óculos de sol! Quando cheguei perto ele já foi dizendo:

"Olha, já faz um tempo que estou querendo vir aqui conversar com você para te agradecer!" Bem, confesso que fiquei bastante confuso mas ele seguiu explicando.

"-Eu quando vim procurar emprego aqui foi por conta do meu sogro que não queria que a filha namorasse um cara da "noite". E se eu provasse para ele que eu conseguia trabalhar em uma atividade "normal" ele permitiria que continuassemos namorando. Quando fui demitido, consegui um ótimo emprego em um banco, por conta da experiência que tive aqui, estou ganhando muito bem, comprei essa Ranger estacionada ai na porta e meu sogro e minha namorada estão muito felizes e eu ganhei a confiança deles. Fiz isso por amor!"

Fiquei realmente impressionado com aquela situação e ai fiquei sabendo que a namorada dele era filha única de um homem muito rico em campinas, dono de muitos imóveis e a "chácara" que eles moravam, na realidade era uma fazenda maravilhosa. Os dois se casaram e moram hoje em uma bela casa construida na fazenda, além de hoje, ele ajudar o sogro nos negócios.

Coisas da vida....

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A VIAGEM DE ONIBUS!



Duas vezes por semana eu resolvi dedicar-me a um curso em São Paulo pensando em aprimorar-me. Assim, toda segunda e quarta-feira eu saia de Campinas e ia até o bairro da liberdade. São 90 kilometros de boa estrada e fora a marginal, eu pegava contra fluxo.

O curso duraria 6 meses e acabou sendo uma ótima experiência. Saia mais cedo do trabalho, pegava meu carro e ia ouvindo meus cds tranquilamente, ao final das aulas, saia para jantar com amigos e voltava para casa. Um amigo meu deu uma dica: "-Cara, porque você não vai de ônibus, têm saidas de 10 em 10 minutos e o metrô para na porta!". E resolvi experimentar fazer o trajeto, até pensando na possibilidade de dormir na volta e economizar no final das contas. Parecia a coisa certa.

Peguei o ônibus com duas horas e meia de antecedência. A condução saiu da rodoviaria e nem havia rodado 200 metros já parou para pegar passageiros (sabe quem quer economizar a taxa de embarque), e foi parando até pegar a anhanguera! Nisso tinha se passado 40 minutos, não estava acreditando nisso! Pensei com meus botões, na pista ele tira o atraso... Que nada, puro engano, o motorista colou nos 80km/h e foi o tempo todo. Eu me contorcia de nervoso....

Quando já estavamos chegando em São Paulo, resolvi sentar-me mais a frente (na expectativa de chegar antes...rs...rs...rs) e percebi uma mulher que falava alto, e gesticulava demais. E me chamou atenção aquela agitação. Vi que tratava-se de uma mãe de cerca de uns 30 anos falando com sua filha de cerca de 8 anos, uma menina muito magra e de olhar triste.

"-Não vai sair dai Laura! Você não vai sentar com sua avó lá na frente! Vai ficar aí sentadinha" a menina sussurou algo e aquela mulher respondeu: "-NÃO LAURA! VAI FICAR AI E NÃO ENCHE O SACO. QUE MENINA IRRITANTE!" (isso foi dito aos urros). A menina sussurou algo mais e derrepente a mulher levantou-se e puxou a menina pelo braço e arrancou ela do assento próximo a janela e berrou: "-VAI PRAGA! AGORA VOCÊ VAI NA MARRA!

A pobre menina ficou plantada no meio do corredor e a mãe voltou a sentar. Ela se equilibrava com o balanço do ônibus e ficou ali parada ao lado da mãe. Eu fiquei impaciente com a cena e muito incomodado com aquela situação, sentei-me no banco de trás delas. A menina quase caiu com o sacolejar e pediu para mãe. "- Quero voltar mãe!"

A Besta abaixou naquela mulher e em um único movimento, pegando a menina pelos braços, arrastou a menina por cima dela como se ela fosse um saco de batatas. Levantou-se e começou a espancar a menina, dizendo: "-TOMA ISSO! Um tapa! Dois tapas! No terceiro, eu levantei e segurei o braços daquela doida! E disse: "-Chega! Você não encosta mais nenhum dedo nessa menina, pelo menos aqui na minha frente!"

Nem preciso falar que o ônibus ficou mudo! Ninguém reagiu! E aquela mulher enfurecida berrou. "-Ela é minha filha e eu bato nela sim!" Ela se achava cheia de razão e retruquei! "-Se você encostar nela novamente esse ônibus vai parar na próxima delegacia e você vai responder ao delegado os maus tratos a essa menina e não vão faltar testemunhas!"

Ela sentou-se murmurando ofensas e me encarando até a parada final dentro da rodoviária.

Ela não se deu por satisfeita e ao ficar em pé para sair do onibus, virou-se para mim em alto tom e disse: "-Está feliz que deu seu show? Freud explica!" E saiu arrastando Laura, que ao sair do seu lugar, parou, encarou-me e deu um sorriso triste e amarelo! Meu coração apertou!

Um dia essa menina vai lembrar que um estranho, dentro de um ônibus, foi em seu socorro para evitar um dos muitos ataques e agreções que certamente, devia de ser uma constante em sua curta e indefesa vida.

Nunca mais fui para São Paulo de ônibus!

RESPOSTA DO MEME.




Sou bastante mirim em questão de blogs e recebi o "meme" do blog -Tres Egos que sempre comenta meus posts. Obrigado pela indicação e acredito que isso seja uma deferência dentro da blogosfera. O meme pelo que entendi, é falar 6 coisas a meu respeito que ainda não comentei aqui no blog e também que muita gente não saiba a meu respeito:

Sou um livro aberto..... e não sei se as pessoas irão se interessar por coisas que são "meio segredos" então vamos lá!

1) Não que eu seja uma pessoa vaidosa ao extremo.... sou normal! Mas fiz Rinoplastia (plástica no nariz), ele não era grande, não tinha apelidos tipo "o napa" ou "tucano", alias muita gente nem percebeu que operei, mas somente eu sei o que passei pra ter esse "narizinho lindo"..rs...rs...rs.... Então, isso é uma coisa que não comento muito...rs...rs.

2) Sempre quiz fazer teatro! Eu quando era adolecente fazia "skets" com os amigos da igreja e algumas peças, mas achava que se fizesse teatro iria morrer de fome porque ator de teatro não ganha bem. Puro preconceito, ai acabei fazendo direito... sabe não sai muito da área!

3) Quando eu estava no prezinho, com 6 anos de idade, uma menina que chama-se Cecília saiu da fila onde ela estava e veio até mim e me deu um beijo... bem, essa foi a minha "primeira namorada". Isso para aquela época era algo bem pouco comum. Meus irmãos que tinham poucos anos a mais do que eu viviam me enchendo por conta disso.

4) Sempre gostei de moto, e comprei uma moto... só para matar a vontade de dar umas voltas mas meu irmão tem uma moto daquelas gigantes, "chopper" e outro dia ele veio visitar minha mãe e pedi para dar uma volta. Bem, dei uma volta no bairro e quando fui fazer um retorno numa subida, parei a moto e ela caiu para o lado. Bem, não consegui erguê-la sozinho e tive que pagar o mico de pedir para um cara que estava passando me ajudar a ergrê-la. (se minha mãe ler este post, já aviso que faz tempo e não me machuquei! rsrsrsrs)

5) Eu adoro cinema, costumava ir toda semana, quando não duas vezes! E sempre que dava ia na pré estréia. Todos sabem o sucesso que foi Harry Potter. Pois bem, eu dormi em TODOS os filmes do H.Potter. Sei que posso ser banido da lista de alguns cinéfilos e harrymaniacos... mas não deu, ou dormia no começo ou na metade ou mais para o fim... mas dormi em TODOS!

6) Eu e um amigo fomos viajar para os EUA. Numa das noites, saimos para um bar para beber e paquerar. Sabe como é, dois brasileiros num Pub onde éramos os únicos estrangeiros latinoamericamos, então, para melhorarmos nossas "chances" com as gringas, resolvermos nos passar por franceses! Isso mesmo, franceses! Eu não falaria uma palavra em ingles e meu amigo faria a tradução. Detalhes básico... eu não falo francês e nem meu amigo! A noite foi um sucesso...rs...rs..

Tá ai, 6 "memes" para quem por aqui passar me conhecer um pouco melhor!

Como tenho que convidar outras pessoas, vou convidar 3 outras mas, fiquem a vontade para aceitar ou não o convite. São tres blogs que eu gosto muito e acompanho sempre as novidades pois são muito legais e inteligentes.

Nunca soube se prestava - Sal
Hoje sem surto - Francisco
Devaneios e Instintos dissonantes - Andrea

Valeu!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

RELÓGIO!


Dna Aninha (leia donaninha) era exatamente como o nome, pequenina e rápida. Viúva, mas independente, filhos criados e morava sozinha em uma casa na periferia. Já havia passado dos 70 anos mas era muito ágil e vivia indo visitar amigos, parentes e o que mais gostava, ia a igreja! Já fazia mais de 60 anos que frequentava aquela comunidade. Durante a semana ia para o encontro com as senhoras e aos domingos para o culto.

Certo domingo, Dna. Aninha arrumou-se toda com direito a batom vermelho e perfume de Alfazema e seguiu em direção a Igreja como fazia costumeiramente. Bolsa e sombrinha a tira colo. O ônibus 375 chegou e estava lotado, mas não o bastante para ficar uma pessoa empurrando a outra. Ao aproximar-se de seu ponto, deu o sinal e enquanto caminhava para porta de saida, um homem jovem trombou com Dna. Aninha enquanto o onibus freava. Ela achou um tanto grosseiro mas nada disse pois queria descer logo para não perder a parada.

Desceu e foi caminhando segura de seus passos para não perder o culto que iria começar as 9hs. Preocupada, foi conferir as horas no antigo relógio de seu marido, que usava de forma a manter sempre uma lembrança consigo, foi quando percebeu que havia sido roubada! Dona Aninha quase caiu das pernas! Aquele moço no ônibus roubou o seu relógio na hora que deu uma "trombada" nela (até por isso chamam esses delinquentes de trombadinhas). Ela, que era só alegria ficou arrasada, não foi pela perda financeira, mas pela memória que o relógio lhe trazia do marido.

Chegou ao culto e contou o ocorrido, os irmãos da igreja foram solidários e disseram que iriam orar por ela, para acalmar seu coração. Dna Aninha naquele domingo pediu justiça! Orou, mas seu coração estava apertado! Assistiu o culto chorando pois o elo com se falecido havia sido tirado dela de forma tão bruta.
Finalizados os trabalhos na Igreja rumou para casa, já mais conformada, aquela senhorinha não estava tão ágil quando subiu no onibus 375 de volta, sentou no fundo da condução. Quando já estava se aproximando de sua parada, foi encaminhando-se para frente e derrepente congelou! Não acreditava no que via, aquele trombadinha no mesmo ônibus da volta. Ela perdeu o chão, seu coração disparou, não sabia o que fazer. Pedir ajudar? Expor os ocupantes do ônibus 'a aquele delinquente? E se ele estivesse armado? Ela olhou no pulso do miserável e lá estava o seu relógio! Lá estava o objeto roubado no braço do marginal!

Dna Aninha sacou sua sombrinha e sem que o rapaz a visse, encostou a sobrinha nas costas do mesmo e disse: "-Passe o relógio ou eu atiro, estou armada e quero o relógio!" O rapaz logo percebeu que não tinha como reagir e sacou o relógio do pulso e deu para aquela senhora. Logo o onibus parou e ela desceu rapidamente sem olhar para o ladrão.

Ela não acreditava na sorte que tinha tido, havia recuperado seu relógio e seguiu em passos largos para casa, toda faceira por sua grande ideia e iniciativa. Ao chegar em casa toda feliz, foi tomar um merecido banho. Pegou o relógio e foi colocá-lo em cima da penteadeira como de costume, quando surpresa, percebeu! Lá estava o relógio de seu falecido marido, que ela havia esquecido de colocar no pulso naquele domingo de manhã!

terça-feira, 4 de maio de 2010

AMIGOS OU AMIZADE!


Engraçado como existem diferentes tipos de amigos, amizades e relacionamentos com pessoas de todos os tipos, origens e histórias que cruzam nossas vidas.

Quando se é criança, você entra na escola e vai para o "recreio", encontra um outro menino e pergunta, "-você gosta de carrinhos?" Ele te responde que sim, você replica: "-Nossa eu também, quer ser meu amigo?" E a partir dai você tem um novo amigo. Um ou outro desses amigos vão continuar na adolecência.

Quando você é adolecente, as amizades vêm em "grupos", se você gosta de uma banda, frequenta um clube, vai a igreja. Lá seus amigos vem por afinidades. Os encontros são grupos e dificilmente você fica isolado com uma pessoa só. O telefone bomba!

Quando fica mais velho, 20 e poucos anos (jovem), você se divide, nos amigos que vem da adolecência, com os novos amigos de novos lugares que está frequentando (faculdade e trabalho) e ai você tem varios grupos distintos de amigos, que não se misturam. Você funciona com um um elo entre essas tribos. Mas nada muito profundo, muito volume e pouca qualidade nas amizades.

Quando passa dos 30 anos, as amizades mais antigas são "aposentadas" e somente um ou dois você carrega com você. Agora você está envolvido mais com trabalho e amizades "profissionais", as baladas vão diminuindo e se você está namorando ou se casa... bem ai é tudo em casal! Casais para jantar, casais para sair para dançar, casais para viajar. E você ou ela acaba TENDO que ser o melhor amigo do marido da amiga dela e vice versa.

Quando você fica um pouco mais velho, procura aqueles amigos que eram da sua adolecência ou juventude que deixou para trás e percebe que aquelas amizades eram incondicionais. Fazer novos amigos nessa fase é bastante dificil. Muitos são pais dos amigos dos filhos (ou seja não foi você que escolheu). Você fica mais criterioso, fechado. Pode até se relacionar com muita gente, mas somente uma ou duas pessoas você realmente vai considerar AMIGO!

Porque isso?? Como vai ser mais para frente?? As pessoas não querem mais investir em amigos. Parece até que a cota de "amigos" está esgotada. Lembro de um churrasco que fui (após muita insistência) com os amigos de uma amiga da minha esposa. Os homens se juntaram em um lugar, as mulheres em outro e eu não estava "inserido" no grupo, pois não conhecia ninguém... fiquei um sabado inteiro conversando com a mãe da dona da festa (divertidissima alias) mas um grupo já completo, sem espaço para novos entrantes.

Enfim, tenho ótimos amigos, bons amigos, amigos e colegas, mas realmente é dificil fazer novos!


sábado, 1 de maio de 2010

ENVELHECER!




Um dos meus amigos de infância se tornou o meu cunhado por coincidência do destino. Enfim ele acabou de se tornar pai e está descobrindo uma nova fase da vida dele. Mas em contra partida da grande alegria que o cerca, ele também está convivendo com a realidade de um pai idoso.

Ha cerca de 2 anos seu pai com mais de 80 anos que então morava sozinho, começou a apresentar problemas da idade e ele acabou levando ele para viver em sua casa. Ele, filho único e seu pai separado precisando de assistência. Nem preciso falar a dificuldade que foi em todos os aspectos: emocional (por ver seu pai debilitado), profissional (por ter que acertar suas atividades com as necessidades do pai) e familiar (esposa por ter que cuidar de um idoso muitas vezes sozinha).

Chegou a um ponto de que para manter a estabilidade familiar ele teve que optar por colocar seu pai em uma casa de idosos, com uma equipe para dar assistência e com outras pessoas da mesma idade.

Criticas vieram de todas as partes (até mesmo quem esta lendo agora este post, pode estar pensando... eu não faria isso com meu pai!) Mas o fato é que dentro das opções era a que melhor se enquadrava. Olha, ele sentiu muito a decisão, sofreu mas teve que fazer.

Eu sempre fui uma pessoa preocupada com o fato de envelhecer e não ter uma assistência na velhice. Não tenho filhos, mas mesmo que tivesse não sou do tipo de pessoa que repassaria a responsabilidade da minha velhice para eles, (porque muita gente acha que filho é para cuidar da gente na velhice), porisso já convivo com o fato de na velhice morar em um lar para idosos, hoje existem otimos lugares sem aquela cara de "asilo". (alias o pai do meu amigo está em um lar com uma proposta dessas)

Voltando então ao meu cunhado, seu pai teve altos e baixos nos últimos 2 anos mas hoje está bem e nos finais de semana ele fica com meu amigo e hoje seu pai foi apresentado para a primeira neta com 4 dias de vida e ele chorou de emoção. Meu cunhado tirou foto com ele, já imprimiu para ele levar para sua "casa" e compartilhar com seus amigos de lá, levou lembrancinhas para distribuir e assim perceber o momento que ele esta vivendo de se tornar avô e estar integrado a familia.

Quando levou seu pai de volta hoje, a enfermeira veio ao seu encontro e disse: "Seu pai me disse que desde que veio para cá ele vê o filho mais do que quando estava morando sozinho e ah!! não sei se você sabe, mas ele tem ajudado muito o seu colega que teve um derrame e esta "hemiplégico" (metade do corpo paralisada)"

Isso fez meu cunhado pensar, se ele tivesse contratado enfermeiros para deixar seu pai em sua casa, ele passaria o dia sozinho e não teria tido o acesso a novos relacionamentos de amizade e o mais interesssante, ele passou de uma condição de assistido para assistidor. Assim, hoje apesar de suas limitações, está se sentindo importante e util por poder "ajudar" o próximo.