quinta-feira, 16 de setembro de 2010

São Paulo


Quando eu era criança muito pouco eu considerava ou avaliava da cidade em que eu estava morando. Pois as coisas importantes que te cercam são os parques, as escolas e a casa de parentes e amigos. Fora isso sua vida esta limitada. Você não está preocupado com centro de compras, centros comerciais e se a cidade é muito grande ou não.

Mudei para Piracicaba com 6 anos e posso dizer que apesar de não ser uma cidade muito pequena era uma cidade muito provinciana. Eu vivia na rua brincando, as pessoas costumavam colocar as cadeiras nas portas das casa a noite e ficar vendo o movimento e na realidade fazendo um social.

Minha família nunca fez isso! Meu pai era um homem culto e minha mãe também, logo eles tinham uma visão bem mais abrangente do que a maioria das famílias, que vezes nunca haviam saído da cidade.

Meu pai viajava muito por todo Brasil e às vezes para fora. E tinha reuniões freqüentes em São Paulo e Rio.

Eu tinha uma vida muito gostosa, uma infância muito ativa e me diverti muito, mas logo fui crescendo e algumas coisas da infância já não me atraiam mais. Normal para todas as crianças. Mas eu tinha sonhos altos, tudo era muito legal, mas algo rolava dentro de mim que começava a me fazer sentir como uma carta fora do baralho.

Quando tinha 13 anos meu pai tinha uma reunião em São Paulo e me levou junto para conhecer a cidade. Eu achei aquilo bárbaro! E lá fomos nós para São Paulo. Saímos cedo para pegar o ônibus na rodoviária. A viagem durou cerca de 2 horas e pouco.


Logo que o dia clareava o ônibus vindo de Piracicaba entrou pela Marginal Tiête e seguiu rumo a estação da Luz. (Rodoviária antiga de São Paulo). Eu fique encantado conforme íamos passando pelos prédios e conforme passávamos pelo agito da cidade grande. Descemos da condução e seguimos do metrô da Luz até a estação Liberdade.

Durante o dia meu pai ficou em reunião e eu fiquei rodando pelas vizinhanças, claro que morrendo de medo de me perder.

Ao final da tarde partimos de volta para Piracicaba. Lembro-me como se fosse hoje eu falando para mim mesmo:

- Eu um dia irei morar nessa cidade eu nasci para esta vida e não para a proposta de vida de Piracicaba.
Devo confessar que aquela viagem mudou minha vida. Dois anos depois mudamos para Campinas, que já me aproximava bem mais de São Paulo. No ano seguinte fui morar fora do Brasil e quando voltei terminei meus estudos e fui para São Paulo fazer faculdade.



Adoro São Paulo, é algo realmente difícil de explicar, mas a cidade é incrível para as pessoas que tem essa tendência urbana.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fantoches


Conviver com muitas pessoas no trabalho ou na vida social faz com que você acabe aprendendo como as pessoas usam de artimanha para conseguir as coisas.

Isso não é uma peculiaridade do ser humano, até quando temos uma criação, um cachorro ou gato, percebemos como esses bichinhos dominam nossas vidas. Eles são espertos e ensinam "truques" para seus donos. Mas quem gosta de bicho até sabe que esta sendo manipulado.

Agora incrível é quando as pessoas fazem isso e acham que não são percebidas. É uma construção de pequenos movimentos estratégicos, frases com um efeito, que na realidade quer dizer exatamente o contrário. É como construir um castelo de Lego. E o interessante é que acabamos vendo a pessoa fazer isso e deixamos para não desmotivá-la até porque a primeira reação seria negar que está construindo um cenário para conseguir seu objetivo.

Em treinamento de vendas eu ensino as pessoas a usar de toda a psicologia e estratégia para criar um cenário para conseguir o efetivo fechamento do negócio. Fazer o outro acreditar que está liderando a situação. Assim, é bastante fácil para mim perceber quando alguém quer fazer o mesmo comigo.

Têm pessoas que conseguem construir durante semanas as vezes até meses um cenário para conseguir determinada coisa. Porque não querem ser objetivas o que muitas vezes encurtaria um caminho enorme caso fossem objetivas ou no mínimo estariam sendo sinceras com o proximo.

Existem alguns comentários que são feitos justamente para puxar um determinado assunto e se você reagir de forma diferente, ou seja diferente da "maneira esperada" você surpreende aquele que quer armar um determinado cenário ou fazer você dizer algo que efetivamente não está afim.

Por exemplo: Se alguém chega para você e diz "-Olha eu cumprimentei aquele negro, você viu como eu não sou racista?" ou "-Eu até que não sou feio, viu aquela menina me paquerando?" ou "-Eu não fumo e não bebo, você vê como eu sou saudável?" ou tantos outros exemplos de frases que praticamente forçam você a dizer o que a pessoa quer ouvir simplesmente para massagear o ego dela. O que dizer nesses casos? Se você reagir diferente elas já saem vitimas. E se acham merecedoras de retratação.

No fundo todos nós agimos um pouco como manipuladores só que algumas pessoas fogem do bom senso. Aceitar que falou algo inapropriado é um ato de humildade. Trabalhar em um ambiente onde existem dezenas de pessoas articulando situações para se dar bem é uma coisa que estressa e faz você refletir se vale a pena estar nesse meio.

Assim ou acabamos sendo fantoches ou controlando as linhas. E você?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Practical Joke!


A gente quando é mais nova faz umas coisas que não dá para explicar! O caso aconteceu mais ou menos assim:

Morar em uma "república" quando se é estudante têm muitos pontos negativos, mas em contra partida têm muitos outros ótimos. Eu tinha umas amigas que vieram de Tatuí SP para estudar em Campinas. As três entraram na faculdade ao mesmo tempo e resolveram “montar” uma república.

Para mim aquilo era show de bola, porque elas tinham muitas amigas e cada uma fazia uma faculdade diferente e tinhamos muitas festas. A semana inteira tinha festa para ir e eu sempre ia acompanhando as meninas. Olha, eu conheci muita gente! Aproveitei bastante, aprontei bastante também!

Eu até relatei um carnaval que fui para Tatuí na casa delas. O fato é que a gente se divertia muito. O apartamento delas era de um dormitório, mas era bem legal e no prédio tinham outras republicas. Legal como era fácil se enturmar.

Para as pessoas que me conhecem, sabem que eu tenho um problema de dermatite no rosto. Nada sério e eventualmente fico com as bochechas vermelhas e não dura mais que um ou dois dias. Depende do stress...rs...rs...rs. Por conta disso, sempre fiz consultas com dermatologistas e acabei conhecendo tudo que esta rolando nesse assunto.

Um amigo que trabalha na indústria farmacêutica disse uma vez que nunca os laboratórios vão investir para achar a cura para dermatite. Pois não é algo "grave", as pessoas convivem sem problemas e acabam gastando muita grana em pomadas e cremes. Seria como matar a galinha dos ovos de ouro.

Mas voltando ao assunto das “repúblicas”. Estava eu um dia no apartamento das minhas amigas e lá chegou uma moça, muito bonita para visitá-las e ela chamava-se Ana. Ela era ruiva e com muitas sardas no rosto que davam um charme para ela. E logo fui apresentado para ela. E ficamos conversando na sala, ela fazia arquitetura. E ela me perguntou:

- Você está estudando o que?

Sem pensar muito falei:

- Medicina!

Minhas amigas arregaralam os olhos pois sabia que eu fazia Direito, mas elas eram minhas “cúmplices” e sabiam que eu estava brincando com a Ana, e resolveram botar “pilha” na brincadeira.

- Nossa que legal! Que ano você está?

- Quarto ano! Vou me especializar em dermatologia.

Quando falei "dermatologia", ela emendou:

- Olha que legal, sabe, eu tenho um problema aqui no meu rosto que vem e volta. Fica vermelho e desaparece......

- Deixe-me ver?

E fiz uma “consulta” para aquela vítima da minha brincadeira. Falei que parecia ser uma dermatite e que existiam medicamentos blá blá blá! Enfim, ela ficou encantada. Mas recomendei que procurasse um especialista, pois eu estava impedido de receitar uma vez que ainda era estudante.

A conversa estava boa e do nada, ela olhou para o relógio e disse:

- Nossa! Estou super atrasada tenho que ir.

E antes que tivéssemos tempo para desmentir a brincadeira ela saiu do apartamento e foi embora. Demos boas risadas do assunto e prometemos reparar a verdade assim que a encontrássemos novamente.

Cinco anos depois...

Já formado em direito, fui a um Cocktail na Prefeitura de Campinas onde haveria uma palestra. E quem eu vejo de longe? Ela mesma! Ana, que formada em arquitetura estava trabalhando na prefeitura. Fui à direção dela que estava sendo a anfitriã da recepção e estava com um grupo de 10 pessoas. Quando ela me vê abre um sorriso, me abraça e fala bem alto para todos:

- Amigos, este é o Dr. Marcos, ele é dermatologista e me ajudou a resolver um problema que eu tinha!

domingo, 29 de agosto de 2010

O Oportunista.



Eu não sou de fazer muitas criticas a questão do “sistema” no qual estamos inseridos até por entender que essa bandeira só pode ser levantada por quem está efetivamente buscando fazer algo. Mas essa semana que passou, fiquei muito irado com um fato e realmente conclui que esse país não é sério e o nosso judiciário também não é sério.

Esta semana passada, fui convocado para ser preposto da empresa em uma audiência. Para quem não sabe o preposto é quem vai representando a empresa em uma audiência junto ao judiciário e em alguma ação.

Hoje existe o juizado especial de pequenas causas que serve para “desburocratizar” o sistema.

Enfim lá fui, eu o advogado da empresa para uma cidade a 60 kilometros de distância. Lá encontramos a advogada do banco e o preposto (que também era parte no processo). Na audiência um advogado indicado para ser “mediador” mais um escrivão e um advogado substituto. E do outro lado estava o cidadão que moveu a ação e seu advogado. Foram 7 pessoas, mais toda estrutura do juizado para atender ao “direito” daquele sujeito.

O pleito inicial era de R$ 497,00, isso mesmo! Quatrocentos e noventa e sete reais!

Para entender: Ele pagou um despachante em campinas (que não foi parte arrolada na ação, senão seriam mais duas pessoas naquele circo) e ele encaminhou o dinheiro para um despachante na cidade do cidadão, mas esse despachante local fechou e sumiu com a grana que recebeu. Era um picareta!

Por conta disso houve a demora do documento ficar pronto até apurar os fatos. O cliente entrou em contato com o despachante de origem e este se prontificou a encaminhar (e pagar novamente os R$ 497,00) para outro despachante daquela cidade e sabe o que ele ouviu?????

-Eu agora quero receber “perdas e danos”!



Sete pessoas envolvidas entre advogados e funcionários públicos e das empresas, custo com viagem e estrutura que somam muito mais dos que o valor pleiteado, mas tudo em vão. Sabe por quê? Porque o “cidadão” não queria somente resolver o problema, mas sim tirar uma “vantagem”. Ele aproveitou o fato do despachante da cidade dele ter sumido com a grana e agora quer tirar proveito.

A audiência não deu em nada porque foi solicitado para localizar o despachante (que obvio não vai aparecer).

Mas quem é o culpado disso? O próprio sistema que aceita uma vergonha dessas. Esse espaço aberto que é para “preservar” o direto de alguns e deixa que oportunistas tentem lucrar algum!
E o pior é que não existe um limite, um controle ou algum tipo de punição para esses "esperctomen" que não visam reparações legítimas ou a busca de seus direitos. Mas sim querem usar a brecha do sistema para tirar proveito.

Eu saí da audiência envergonhado.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Australia III




Já dentro do avião para ir a Sydney eu estava mais tranqüilo pelo stress da alfândega na Nova Zelandia, mas claro que ainda estava com aquela sensação de chegar a outro país e também ansioso pela mudança de país.

Após fazer alfândega em Sydney sai para o desembarque encontrei com a Anne, segurando uma placa com meu nome. A Anne tinha cerca de 40 anos, solteira, trabalhava na IBM e morava em um bairro muito legal nos arredores de Sydney. Ela era a amiga da minha amiga. Eu iria ficar na casa dela por 4 ou cinco dias, mas logo que cheguei devido a viagem e stress, fiquei muito gripado.

Fui visitar alguns pontos turísticos, visitei um shopping enorme, mas não tinha ninguém fazendo compras, porque a Australia apesar de grande tem uma população pequena. Fui também a uma praia chamada “Bondi”, muito legal com restaurantes legais. Depois de 2 da comprei uma passagem para Adelaide onde encontraria minha amiga Denise.

Liguei para ela de Sydney e ela estava me aguardando. Eu estava querendo chegar logo em Adelaide, pois precisava arranjar um emprego o mais rápido possível. E lá fui eu para mais de 8hs de viagem de ônibus.

Quando cheguei em Adelaide minha amiga estava esperando na estação com um amigo o Chris! Fazia 10 anos que não nos víamos e tínhamos muito assunto para por em dia. Ela não tinha carro e pegamos um taxi, mas percebi que ela queria me contar algo.

- Marcos, tem uma coisa que eu preciso te contar!

-Beleza Denise pode falar.

-Então, na casa que dividimos tem um quarto para você, mas lá mora o Chris, o Nigel e mais uma amiga.

-Sem problema Denise, uma republica mista não vejo mal algum.

Nisso o Chris entrou na conversa e disse:

- Marcos, a Denise está preocupada porque não te falou antes a minha profissão!

- Ah Chris, beleza, você trabalha com o que?

- Eu e Nigel somos Drag Queens!

- O que é uma Drag Queem?



Reconheço que o termo não era conhecido na época. Era alias uma coisa nova. E eu fiquei confuso até a hora que ele disse que se vestia de mulher e fazia shows em uma Boite! Boite Gay!

Confesso que na hora eu fiquei “chocado”. Pois apesar de não ter preconceito eu preferia ter conhecimento desse detalhes dos meus “colegas” de moradia. Enfim, lá fomos nós, todos eram muito legais e divertidos.

Só que eles tinham uma vida invertida. Dormiam de dia e varavam a noite na boate. Traziam amigos para festas recheadas de bebida e maconha. Quando eu estava acordando eles ainda estavam bebendo.

Em um final de semana após insistirem acompanhei os dois até a boate. Estavam “montados” e a cena entrando no taxi, dois drag queens, minha amiga e eu. Deve ter divertido muito os vizinhos. O show dos meninos era muito bom e a noite foi engraçada e divertida. Eles eram os precursores dos Drag Queens que depois de alguns anos se tornaram conhecido no mundo todo. Até então eu conhecia somente o termo travesti o que definitivamente não é a mesma coisa.

Não avisei minha família e nem minha noiva, pois seria complicado explicar o que estava rolando. Comecei a procurar emprego, mas estava muito difícil conseguir um trabalho, pois cheguei no mês que havia entrado em vigor uma nova lei que punia em A$ 5000, dólares as pessoas que empregassem estrangeiros ilegais. O que era meu caso, apesar de possui um visto eu não estava permitido para trabalhar.

É claro que muitos ilegais estavam trabalhando, mas sem a mesma remuneração de um imigrante legal logo as empresas não estavam contratando novos trabalhadores nessa situação. Tentei vários trabalhos, mas o dinheiro foi acabando e dentro daquele quadro, não tive outra opção a não ser voltar para o Brasil.

Definitivamente desisti de trabalhar fora do Brasil, pois aqui estão minhas raízes.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Austrália II -


-Yes! (-Sim)

-Would you follow me please? (-Poder me seguir por favor)

Nesse momento senti um frio na espinha e a boca amargar! Algo estava errado e senti o chão abrir.... pois aquela não era uma abordagem de rotina, eu estava de boa no saguão e havia sido escolhido no meio da multidão por algum motivo.

Levaram-me a uma sala que tinha somente uma mesa uma cadeira e sem janelas. Lá dentro mais dois oficiais da alfândega começaram a fazer perguntas estranhas, de onde eu era, para onde estava indo, quem eu conhecia na Austrália e pediram para abrir minha mala de mão.

-Mas vocês querem ver minha mala de mão? Por quê? Isso é um pedido? E se eu me negar em autorizar vocês checarem minha bagagem de mão?

- Senhor isso não é uma opção! Nós estamos somente cumprindo uma formalidade.

-Mas vocês estão procurando o que? Drogas?

-Certamente esse é nosso objetivo senhor!

Nesse momento tudo passou como um filme na minha mente! Eu havia descido do avião em Punta Arenas e tinha deixado a mala sozinha no avião. Alguém poderia tranquilamente ter colocado qualquer coisa ilícita na minha mala. Eu não teria como explicar aquilo.

Ai começou o “desmanche” da minha mala de mão. Eu levava uma garrafa de pinga que foi aberta. Cada detalhe foi vasculhando, uma “necesserie” com “coisas” pessoais foram abertas, cheiradas, apertadas, iluminadas, quebradas e um pavor foi correndo por meu corpo. Fiquei muito assustado, tentei explicar que havia deixado minha mala sozinha por um período, mas gaguejei bastante. Minha adrenalina estava a mil!

-Sim senhor, entendemos! O senhor deixou sua mala sozinha em um aeroporto no meio do nada, não acha isso incomum?

Quando acharam um pacote que eu desconhecia a origem com um pó branco dentro e me perguntaram!

-Senhor o que é isso?

-Não sei!

-Mas esta aqui na sua mala!

-Tudo bem, mas não me lembro de ter colocado isso ai! Posso dar uma olhada?

Todos na sala já estavam me olhando de forma estranha. Foi quando peguei o pacote e reconheci o que era aquilo. Adoçante em pó. Conhecido como “Suquinha” da empresa “Siber”, era o precursor dos adoçantes tradicionais. Minha mãe comprava aquele adoçante por quilo. Eu adorava adoçar tudo com aquilo e ela certamente deve ter colocado um pouco na minha mala para eu levar comigo.



Esclarecido o engano e após passar por uma revista pessoal que incluiu uma visita das mãos do agente em lugares do meu corpo, que nem eu e nem ninguém havia visitado. Fui liberado para seguir viagem.

Nisso, minha auto estima estava destruída! Sentia-me humilhado e vulnerável. Mas eu tinha que chegar a Sidney onde a amiga de uma amiga... (Sabe essas coisas de brasileiro), estaria me esperando no aeroporto para ficar uns dias na casa dela antes de seguir para Adelaide encontrar minha amiga. Mas eu não imaginava o que ainda eu iria me deparar e como eu ficaria chocado!!!! (continua)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Australia I


Assim que sai da faculdade estava como a maioria dos jovens, pensando em novas conquistas, novas oportunidades e começar a encarar a vida de gente grande. Mas essa passagem é bastante dificil. Até a gente entender que férias de dezembro e janeiro e julho acabaram. Sim, porque quando a gente começa a trabalhar férias só depois de 2 anos de trabalho. E assim como outras coisas que a gente tem que se adaptar.

Eu ainda mantinha alguns contatos com amigos e em especial uma amiga na Australia e trabalhar fora do Brasil sempre brilha aos olhos dos jovens ainda mais quando já tem uma "porta aberta". E comecei a trocar cartas com minha amiga.

Eu estava noivo e a ideia era simples, eu iria na frente, me estabeleceria e depois minha noiva iria na sequencia. A Australia sempre foi um país com uma qualidade de vida alta e com otimas oportunidades de emprego.

Minha amiga me disse que morava em uma casa com outras pessoas, como se fosse uma "republica" e um rapaz que morava lá tinha ido para Inglaterra e tinha um quarto sobrando na casa. Logo eu poderia ficar hospedado lá. Minha amiga deu todo apoio e insistiu para que eu realmente fosse.

Devo confessar que a situação e a decisão não é facil. Juntar suas economias e encarar uma nova vida. Deixa pais e noiva para trás e buscar um trabalho em um país com uma cultura diferente apesar de eu já ter morado lá e conhecer os costumes.

Passagem comprada, visto tirado, mala pronta e lá fui eu. No aeroporto a despedida foi triste e com muito choro mas tinha um objetivo.

O voo saiu de São Paulo, foi para Buenos Ayres, para em Punta Arenas no Chile. Essa parada foi estratégica para abastecer o 747 300. Não existe nada naquele lugar o aeroporto não passava de uma sala de 5m x 5m. Ninguem precisava descer do avião, mas iriamos ficar ali por cerca de 1 hora e ja era mais de meia noite. Mas eu resolvi descer, só para dizer que pisei em um dos cantos mais ao sul de america do sul. Eu desci mas deixei minha mala de mão dentro do avião

Logo seguimos para Nova Zelandia e lá iria trocar de aeronave antes de embarcar para Australia. E fiquei no saguão do Aeroporto foi quando a policia local me abordou:

-Excuse Sir, were you in the plane from Argentina? (-Com licença, o senhor estava no avião vindo da argentina?)

-Yes! (-Sim)

-Would you follow me please? (-Poder me seguir por favor)

Nesse momento senti um frio na espinha e a boca amargar! Algo estava errado e senti o chão abrir.... (continua)