sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Luz, Câmeras, Ação!


Minha cabeça deve estar lesada. Só pode ser essa a justificativa por não escrever esses dias. Eu já cheguei a pensar que poderia ter uma coluna diária sobre os assuntos do cotidiano mas escrever com compromisso é diferente. Passa a ser obrigação e ai você fica no stress.

Meu respeito aos colunistas que escrevem diariamente em jornais, sites e outros, pois você tem que estar totalmente antenado para não escrever muita bobagem. Tudo bem que tem gente que escreve bobagem, mas não duram muito na midia.

Outro profissional que também merece meu total respeito são os atores e atrizes de teatro e tv. Não somente os famosos mas esses que fazem comerciais de TV que na realidade não estão o tempo todo na midia. As vezes vão fazer somente um free lance.

A maioria das pessoas que me acompanha no blog sabe que eu trabalho com carros. E já faz 6 anos que eu faço os comercias da loja ou melhor, que faço a divulgação no shop tour e tv local de programas de venda de carro. Eu não faço oferta, faço o Institucional.

Por conta dessa familiaridade com as cameras e por ser uma figura já conhecida, a agencia de marketing resolveu fazer um comercial nos cinemas e tv aberta da região, com este rostinho lindo que Deus me deu (bazinga!).

Lá fui eu todo pimpão sexta passada gravar 55 segundos. Não poderia ser 60 segundos e nem 53 segundos, teriam que ser cravados 55 segundos. Olha eu não sou piloto de formula 1 que controla "décimos" de segundo. Cenário escolhido, roteiro escolhido e 3 atores profissionais para interagir comigo e ai começou a epopéia.

Cronometro em mãos, cameras, luz e uma equipe de 10 pessoas. O calor comia solto, e comecei o que imaginei que seria resolvido em 30 minutos no MÁXIMO. Repeti a fala uma, duas, dez, cincoenta, 100 vezes, 200 vezes... cinco horas depois, conseguimos escolher a melhor tomada.

Eu fiquei um bagaço, depois de 3 horas já estava no limite, sabe o que é você repetir a mesma frase com sorriso no rosto e manter a animação, dificil! O suor escorria tinha que parar, secar, ficar no mesmo local, ergue mais o braço, ergue menos o braço, olha mais para esquerda, olha para direita, sorria, mantenha o ritmo, Luz - Câmera - Ação, olha.... não foi fácil. Quase me ocorreu jogar tudo para cima. Mas o pessoal falou que era normal! Para mim, não tem nada de normal.

Ficou a lição, e hoje quando vejo um comercial de 30 segundos ou 60 segundos ou um ator de teatro com uma fala enorme sem erros e na tv uma fala gigante que você percebe que não tem corte... olha, meu maior respeito a esses herois.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vamos combinar que?


É interessante como de tempos em tempos surgem algumas frases ou palavras, ou chavões que dominam as conversas. Não sei de onde vem e nem quem as criam, mas elas pegam e infestam o nosso cotidiano. E quando menos percebemos, até quem não gosta está falando e repetindo.

Não sou avesso a falar de acordo com o que está sendo usado no popular mas, tem horas que esses “populismos” da língua vão ao extremo e em uma conversar com 2 sentenças elas são repetidas a exaustão.

O chavão do momento que virou um vício de linguagem é falar “vamos combinar que” antes de você declarar algo!

Porque temos que “combinar” algo? Eu não quero ficar combinando as coisas. Eu não acho que antes de todas as declarações você deva chegar e dizer... –“Vamos combinar que tomar chuva é um saco” ou –“Vamos combinar que horário de verão é legal!” ou –“Vamos combinar que carne de panela é bom.”

Sabe, esse tal de “vamos combinar que” está entrando para o rol dos: “A nível de” – “Tipo assim” – “Enquanto pessoa” – “Primeiramente”.
Enfim, ficar combinando as coisas não é legal, é melhor você ter opinião própria e se a outra pessoa achar por bem concordar com você então beleza, está combinado.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Príncipe Encantado.


“As flores coloriam o gramado e as flores do campo se enchiam de abelhas, quando surgiu montado em um cavalo branco ele, que rumava em direção de sua amada. Ela toda de branco, se protegia do sol com uma sombrinha branca. Ela atravessou a ponte que os separavam e com trombetas tocando seguiu ao encontro do seu grande amor. Ele declarou seu amor cantando uma linda canção e assim, ela se uniu ao seu príncipe após 15 anos de espera.”

O texto acima poderia ter sido retirado de qualquer romance ou revista do estilo “Sabrina”, mas não foi. Hoje, domingo dia 10 do 10 de 2010 as 10 e 10 da manhã fui ao casamento de um amigo e lá presencie a cena acima. Foi emocionante, porque tudo foi feito de forma simples e sem pompas e acima de tudo. Foi feito para eles e não para mostrar para aos outros.

No mundo de hoje onde os relacionamentos estão cada vez mais superficiais, onde as pessoas se unem e se separam como trocam de roupas. Essas expressões de crença na união sincera e comprometida estão cada vez mais raras.

Hoje refleti essa questão e quero que meus amigos aqui também reflitam.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E para o povo Brasileiro.


Pensando no resultado das eleições eu imagino. Quantos blogs hoje estão abordando esse assunto e claro que eu não preciso falar nada. Todos já esgotaram o assunto ao extremo. Uns para o Serra, outros para a Dilma e muitos pela performance da Marina.

Minha opinião é (1 minuto de silêncio)!

Não sou um cara político. Alias, todos nós somos seres políticos, todavia não sou da politicagem. Em algum momento da vida da gente pode acontecer de nos envolver em algum tipo de política. Nem que seja no condomínio do prédio. No centro acadêmico da faculdade. Na comissão de formatura e tantas outras expressões políticas. E você percebe a cáca que fez.

Isso tudo é um lixo! Porque a vaidade e a ganância pelo poder move os homens.

Então eu quero falar neste post de hoje sobre algo muito mais importante! Então segue:

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá.
e

Espero que tenham aproveitado o assunto.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Miami Beach III


O circo estava armado... meus amigos brigando na pista de dança, o garçon cobrando a conta, todos bêbados e a polícia chegando! Foi quando o Mexicano me perguntou o que estava acontecendo e eu disse: O gerente está duvidando da nossa capacidade de pagar essa conta. Eles querem nos colocar para fora. Nunca tinha visto um mexicano ficar tão afrontado. E eu servindo de tradutor para o gerente que já estava do nosso lado.

O Mexicano não se deu por rogado! Sacou do bolso um pacote de notas de U$100,00 enroladas com um elástico e contou 7 delas e entregou na mão do gerente. E ainda bravatou: - Nós não somos caloteiros não. E eu concordei com ele e falei para o gerente pegar o dinheiro porque íamos embora.

Nesse momento, tudo meio embaçado, comecei a ver luzes de lanternas vindas em nossa direção. Uma, duas e três luzes se aproximavam e policiais estavam segurando as mesmas e já foram perguntado:

- Who speaks english here?

Eu falando bem “mole” disse aos policiais, que éramos turistas, que estávamos somente tentando nos divertir, que a situação tinha ficado fora do controle porque um dos nossos amigos foi paquerar uma moça que estava acompanhada. Daí o motivo da briga.

Eles foram muito legais e pediram para que saíssemos e voltássemos ao hotel. E todos concordaram que já era hora de ir embora. Quando chegamos do lado de fora, umas 5 viaturas de polícia com suas luzes azuis e brancas piscando nos esperada do lado de fora.

Os mexicanos pegaram sua BMW (mesmo bebados) e chamamos um taxi para completar a lotação e seguimos escoltados pela polícia até o hotel que estávamos ficando. Chegamos ao hotel e ainda demos muitas risadas e continuamos nos divertindo muito aquela noite. Até que fomos dormir. E eles prometeram aparecer no dia seguinte.

Acordamos com muita ressaca. Mas tínhamos feito dois bons amigos e divertidos. Durante aquele dia eles não deram as caras. E tínhamos um telefone deles que não respondia. Ligamos naquele dia e no próximo e os dois simplesmente desapareceram.

Eu iria sair por três dias para ir até Orlando para os parques da Disney, e parte da turma iria ficar no hotel e eu os veria quando voltasse de Orlando. Mas ainda me intrigava o fatos dos dois rapazes simplesmente terem desaparecido.

Quando voltei de Orlando encontrei a turma. E nem bem terminei de dar oi, eles me disseram:

-Marcão, você não sabe o que aconteceu aqui! Os mexicanos vieram aqui assim que você foi para Orlando. Bem eles são empresários mexicanos e naquele dia o México entrou em uma crise econômica e eles tiveram que voltar às pressas para lá, pois os bancos estavam confiscando o dinheiro dos clientes (algo que vimos acontecer aqui com o Collor) e eles disseram que tinham mais de dois milhões de dólares investidos.

Enfim, eles não poderiam continuar em Miami, mas deixaram um presente para cada um de nós, o cartão de visita deles com telefones de contato e a conta de hotel paga durante toda nossa estadia lá.


Claro que tudo passou por nossas cabeças, mas eles eram do bem. Estavam se divertindo de férias e nada melhor que acompanhar seis brasileiros “duros” e fazer a festa com eles. Até rolou certo “affair” de um deles com uma das meninas, mas coisa normal de “ficantes”.

E assim essas “férias” foram totalmente fora do comum de tudo que poderia esperar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Miami Beach II


Saí de Bogotá as 5hs da manhã rumo a Miami, a viagem foi rápida e ao chegar nos USA segui para Miami Beach. Miami Beach tinha acabado de passar por um processo de revitalização e a maioria dos prédios tinham sido pintados no estilo que marcou os anos dourados de Miami Beach, o Art Deco. O que eu poderia resumir como: “tinta texturizada colorida, aplicada com rolo em toda a parede e até nos interruptores”. Meio simplista, mas o impacto é legal.


Miami Beach tinha muitos hotéis a preços muito baixos, existia até que uma disputa pela ocupação, e um quarto poderia ser fechado por semana por cerca de U$100,00. Quem conhece Miami Beach vai entender o que estou falando. O Lincoln Road era um deserto, poucas lojas funcionando e não tinha nada a ver com o glamour que é hoje.

Ficamos num hotel beira mar, muito grande e a quantidade de velhinhas que circulavam era incrível. Nesse hotel encontramos com outros brasileiros que também haviam feito o “esquema” de viagem pelos dólares e logo ficamos todos amigos, até porque, do nada apareceu uma garrafa de pinga para auxiliar na união.

Enquanto bebíamos na piscina do hotel, dois mexicanos que estavam por ali viram a animação e foram se aproximando do nosso grupo que estava composto por 3 homens e 3 mulheres. Logo se enturmaram e dávamos boas risadas, pois esse era o nosso único compromisso. Bebemos umas 2 garrafas de pinga e improvisamos umas caipirinhas. Estava muito calor e posso dizer que não queria outra vida.

Uma coisa eu tinha que ficar muito atendo, que era a questão de grana. Eu estava viajando com o dinheiro contado e não poderia ficar ali na dureza e teria ainda mais alguns dias pela frente. Mas para quem já tinha feito o trem da morte àquilo era o paraíso.

Os Mexicanos conheciam bem Miami e ao final da tarde estávamos enturmados como amigos de infância. Eles nos convidaram para sair à noite para uma Boate e todos sem exceção toparam.

Combinamos o horário e eles disseram que viriam nos buscar. Na realidade eles estavam encantados com as três brasileiras que estavam conosco. Elas também estavam no esquema dos dólares e eram muito bonitas. O que deixou os Mexicanos doidos para conhecê-las melhor.

As 20hs em ponto os dois apareceram no hotel. De banho tomado e todos arrumados e bem vestidos. Perguntamos aonde iríamos e eles disseram para não nos preocuparmos. Eles disseram que estavam de carro e iriam fazer duas “viagens” para levar todo mundo, pois não iríamos caber todos de uma vez.

Na porta do hotel tinha uma BMW preta novinha e esse era o carro deles. Todos nós nos entreolhamos e percebemos que os caras não eram “fracos”.

Quando chegamos à boate, era um misto de boate e restaurante e adega. Eles me disseram que naquele lugar o presidente do USA tinha ido jantar e tomado uma garrafa de vinho de U$ 50.000. Logo me veio à mente. “To ferrado” não vou poder nem tomar água aqui dentro.

A mesa estava feita, éramos em 8. O mexicano se adiantou ao garçon e pediu. Uma garrafa de Whiskey! Fui checar o preço U$ 220,00!



Claro que uma garrafa em oito não seria um estrago, mas essa garrafa secou rapidamente e logo veio a segunda e a terceira garrafa já não abaixava tão rápida, pois todos já estavam veio “altinhos”. E a conta também! U$ 660,00 em três garrafas de Whiskey e 8 latinos bêbados em um dos lugares mais caros de Miami Beach. Dançando e agitando toda boate.

Quando o garçon chegou para mim (que era o único do grupo que falava inglês) e disse:

- Mr. The manager wants you to check the drinks now! (o gerente queria que pagássemos aquelas bebidas). Nós teríamos que pagar toda aquela conta se quiséssemos continuar lá. Nesse exato momento uma briga começou no meio do salão e eu disse ao garçon:
- Why dont´t you worry about the trouble makers? (Porque não se preocupa com os arruaceiros)

- Sir, those are your friends! We called the police!(Senhor, eles são os seus amigos, nós já chamamos a polícia).

Foi ai que percebi que a coisa estava pegando.... (continua)

sábado, 18 de setembro de 2010

Miami Beach I


O Brasil passou por momentos que se hoje contarmos para alguns pode parecer uma coisa de louco. Na realidade pode até parecer mentiroso, mas muitas pessoas que lerem esse post poderão lembrar-se dessa época.

Nós vivemos uma época que a economia era uma loucura. Inflação de 3% ao dia, deixar dinheiro na carteira era mesma coisa que rasgar dinheiro. Usava-se cheque de forma indiscriminada, até para pagar um maço de cigarros.



A única moeda que dava um sentido a estabilidade econômica ou a um referencial de valor era o dólar. Então você poderia manter o referencia de quanto algo valia se mantivesse o preço em dólar na sua cabeça.

Mas o dólar subia desesperadamente todos os dias. Mas se uma coca-cola custava U$ 2,00, amanhã também custaria e assim por diante. Mas em cruzeiro um dia era Cr$ 500,00 no outro dia Cr$ 515,00 e no outro Cr$ 535,00. Loucura total.

Para manter o referencial você comprava dólares, quando recebia seu salário, parte deixava aplicado no banco (o chamado over night) e para uma reserva especial, você mantinha uns dólares. Mas não pense que se comprava dólar com facilidade. Tinha o preço do dólar oficial e o preço do dólar paralelo. Cada pessoa somente poderia comprar dólares pelo preço oficial um limite de U$ 1000,00. No paralelo o preço do dólar dobrava de valor.

Algumas agências de turismo faziam às vezes de agência de câmbio, o que não era permitido também. Porque compra e venda de moeda estrangeira somente estava autorizado pelos Bancos. Mas essas agências faziam o seguinte. Pegavam seu passaporte, lhe davam uma passagem para Miami, e dos U$ 1000,00 que você poderia comprar você somente comprava U$ 400,00 pelo cambio oficial. Alguém aqui tem dúvida que eu não entrei nessa???

Eu não tinha nada a perder, iria ficar 10 dias em Miami, não iria pagar a passagem, mas em contra partida somente iria levar U$ 400,00 e uns U$ 200,00 pelo preço do paralelo. Mas naquela época se você trouxesse um vídeo cassete que custava U$ 200,00 poderia vendê-lo aqui por U$ 800,00.

Para fechar a conta, vamos lá, eu ficaria 10 dias de graça nos USA. Você toparia?

Um amiga e o irmão dela toparam fazer o “esquema” o que iria deixar a estadia ainda mais em conta porque iríamos dividir o hotel em três.

A passagem aérea era pela Avianca, e teríamos que pernoitar em Bogotá. Uma oportunidade a mais para conhecer um país diferente. Chegaríamos de dia e o vôo para Miami seria somente na manhã seguinte. Legal dar um role na noite de Bogotá, na época a mais perigosa cidade para se viver na América Latina por conta do tráfico de droga.



Embarcamos para nossa viagem e quando chegamos a Bogotá um agente da Avianca já nos orientou: - Señores, tiene una buseta esperando para llevarlos al hotel.

A primeira pergunta que eu fiz: - Mas vão caber todos dentro de uma só?

Aquela noite em Bogotá foi pitoresca. Fomos orientados a não deixar nada de valor no Hotel e também não deveríamos levar nossos passaportes se saíssemos à rua. Acompanharam? Não era seguro deixar nada no hotel e nem tampouco levar conosco. O que não nos impediu de conhecer o centro de Bogotá, muito agitado até tarde da noite e patrulha da policia fazendo batidas policiais em todas as esquinas.

Não fosse essa viagem permeada de novidades o que iria nos acontecer em Miami naqueles dias seguintes era algo inacreditável..... (continua)